O
caso da falácia do Procurador
Com alguma frequência, dados os acontecimentos A e
B, faz-se confusão com as probabilidades P(B|A) e
PA|B), identificando-as. É aliás conhecida
a "falácia do Procurador". Em análise
forense (Graça Martins et al, Probabilidades e Combinatória,
DES, Ministério da Educação, 1999),
por exemplo, há interesse em considerar duas probabilidades
condicionais relacionadas com a evidência fornecida
pela análise do ADN. Por um lado, interessa considerar
a probabilidade do perfil do ADN do réu coincidir
com o das amostras recolhidas no local do crime (A), dado
que o réu está inocente (B).
A outra probabilidade,
de interesse em tribunal, é a de o réu estar
inocente (B) dado que o perfil do seu ADN coincide com o
do encontrado no local do crime (A).
A "falácia
do Procurador" consiste em confundir estas duas probabilidades.
Usa a primeira probabilidade, que em geral é extremamente
pequena (1 em 3 milhões, digamos) como se fosse a
segunda e daí infere que a probabilidade do réu
ser culpado é praticamente 1, pedindo portanto a
acusação com base nessa evidência! No
entanto P(A) é também muito pequena, podendo
acontecer que se tenha, por exemplo, P(A) = 0.000004. Neste
caso, viria
, valor este que pode ser bastante elevado,
favorecendo claramente a inocência do réu.